quinta-feira, 27 de março de 2025

A Palavra à Equipa - Maximiano Ferreira

"A essência da mediação imobiliária difere dos grandes centros urbanos para os pequenos. Vindo de uma grande capital e chegado a uma pequena cidade de província, quais as maiores diferenças que encontrou em termos de posicionamento e valores éticos e morais?"

As diferenças que se encontram em termos de posicionamento, valores éticos e morais são vários.

Verificando-se  no setor imobiliário alterações várias e crescentes,  numa espiral imparável, e com o número de agências a crescer também,  numa cidade pequena como Beja, sinto que se torna cada vez mais difícil atrair, conquistar e fidelizar clientes.  Ainda assim e do que é a minha experiência em Beja que dura há  quase seis anos, o saldo acaba por ser positivo e gratificante,  não só em termos humanos onde as pessoas são mais disponíveis, respeitam o nosso trabalho,  e em face  disso os resultados aparecem de uma forma natural.  A nossa reputação vai crescendo e faz com que todos os dias sejam encarados com mais vontade de fazer, sempre mais e melhor, para quem confia em nós.  Mas para isso é necessário ter um conhecimento profundo da zona de atuação para poder corresponder às expectativas dos clientes e fazer com que se sintam confiantes e confortáveis.  Dar-lhes a conhecer todas as ferramentas de que a empresa dispõe e o que me proponho  fazer em termos de prestação de serviço para  os ajudar na sua situação concreta. Sendo que como contrapartida de uma prestação de serviço, existe uma remuneração, traduzida num comissionamento fixo ou variável em função do valor do imóvel em causa, numa cidade de província, pouco populosa e no interior, como é o caso de Beja,  ficamos muito aquém do que  é praticado nos grandes centros urbanos,  face à enorme disparidade entre os valores de mercado praticados nas várias zonas geográficas e populacionais.

No entanto, a abordagem vai sofrendo algumas alterações, pois nota-se um maior interesse e um  investimento crescente,  de clientes investidores sem ligações  à cidade de Beja,  mas que acreditam tal como nós, na evolução,  crescimento e desenvolvimento da cidade, quer em termos urbanos, quer em termos sociais, económicos e demográficos.

Numa grande cidade o posicionamento acaba por ser não só mais competitivo,  mas também mais dinâmico, face à variedade de oferta no mercado,  mas também à multiplicação de clientes, o que leva a que se consigam obter resultados mais rápidos e satisfatórios.



sexta-feira, 21 de março de 2025

A Palavra à Equipa - Joaquim Estevens

 "Para si qual o ponto chave fundamental na mediação imobiliária? Porquê?"

 Procurando ainda que sucintamente responder à questão colocada, apraz-me referir que são vários os pontos, fundamentais, para a  mediação imobiliária.

Obviamente, que me referirei unicamente à boa mediação imobiliária, já que a outra tem o nome consigo e vive da espuma do momento, menosprezando toda e qualquer boa regra.

Desde logo, uma apresentação cuidada, marca pontos a favor do agente ou consultor imobiliário, já que é inspiradora de confiança perante ou junto dos seus interlocutores, bem como da sociedade em geral.

Um aspecto fundamental na mediação imobiliária é o conhecimento daquilo que se está a tratar, quer seja na fase de angariação quer seja na fase da venda. É importante que o consultor imobiliário tenha conhecimentos vários do meio em que está inserido, ao nível da qualidade do produto, comparações,  dos valores que lhe estão implícitos e das soluções de e para um futuro. É fundamental para uma boa mediação imobiliária, a demonstração a todo o momento, de conhecimentos, transparência e honestidade. Uma resposta apressada e pouco fundamentada, podem deitar a perder uma futura transação. É de todo mais correto, que o consultor diga que vai procurar documentar-se melhor, para poder dar uma resposta mais precisa e concisa sobre o assunto em análise.

Pontos fundamentais a não esquecer e ter sempre em conta na mediação imobiliária, são, para além dos conhecimentos, como atrás disse, a honestidade, a transparência,  a ética e a lisura de métodos em todo o processo, quer na angariação quer na venda. Todos estes predicados, no seu conjunto, são peças muito importantes  para qualquer bom profissional que se preze.

 É por demais evidente que eu estou a fazer uma abordagem genérica a um bom profissional, qualquer que seja o ramo em causa: no ramo imobiliário, não olvidando o que acima se disse, não deixam de ser determinantes, os valores envolvidos e propostos, tal como os aspectos mais ou menos burocráticos que podem estar ou não, subjacentes ao imóvel em questão.

 Na atividade imobiliária é imprescindível e fundamental "fazer boa caligrafia", porquanto aquilo que se diz ou se  faz, define o seu autor, para hoje e para o futuro.

 


sexta-feira, 14 de março de 2025

A Palavra à Equipa - Carla Cravinho

 "Todos iguais, todos diferentes. Em termos de mercado e da actividade de mediação imobiliária no geral, que pensamentos lhe suscita a expressão atrás?"

A expressão "todos iguais, todos diferentes" suscita várias reflexões no contexto do mercado e da mediação imobiliária, abordando tanto a uniformidade das práticas como a singularidade de cada interveniente.

Falando de Igualdade no Mercado,  todos os mediadores imobiliários estão sujeitos às mesmas leis e regulamentos, garantindo um nível básico de igualdade no tratamento dos clientes e na condução dos negócios. A ética profissional deve ser um padrão comum, assegurando transparência e honestidade em todas as transações.

Relativamente ao acesso à Informação, a crescente digitalização tem permitido um acesso mais igualitário à informação sobre o mercado imobiliário, tanto para profissionais como para clientes. As plataformas online e bases de dados partilhadas facilitam a comparação de imóveis e a análise de tendências.

Contudo, existem diferenças na Mediação Imobiliária, nomeadamente nos mercados alvo e na localização geográfica das agências, agentes, clientes e produto. Tende-se para uma crescente especialização e nichos de mercado.

Cada mediador ou agência pode especializar-se em diferentes segmentos do mercado, como imóveis de luxo, propriedades rurais, mercado urbano habitacional, Investimento e reabilitação ou arrendamento.

Esta diferenciação permite um serviço mais personalizado e adaptado às necessidades específicas de cada cliente.

Em linha com esta tendência também o estilo de atendimento e marketing varia em função das mesmas variantes.

As abordagens de atendimento ao cliente e as estratégias de marketing variam significativamente entre os Consultores. Alguns privilegiam o contacto pessoal e a construção de relações de confiança, enquanto outros investem em tecnologia e marketing digital. Outros ainda,  continuam a trabalhar com o perfil centrado nas pessoas para pessoas, criando relações de confiança e colocam ao seu serviço a tecnologia e inovação, tirando partido desta para obter melhores resultados. Esta última, é a atitude  com a qual me identifico mais.

Uma palavra ainda para o conhecimento profundo do local onde trabalhamos, dos habitantes, instituições e demais componentes sociais, e o  Networking. Se não existir esse  conhecimento profundo do mercado local e uma rede de contatos sólida, que são fatores que distinguem os Consultores, uma vez que cada um se move  de acordo com o seu circulo de influências, é tanto mais difícil conseguir entrar em determinados nichos, quanto mais difícil se torna o nosso trabalho no terreno.   Cada Consultor é uma pessoa com personalidade, convicções, vivências e mundos diferentes.

Concluindo, a  coexistência de igualdade e diferença no mercado imobiliário exige um equilíbrio entre o cumprimento das normas e a capacidade de inovação. Os mediadores que conseguem combinar um serviço ético e profissional com uma abordagem personalizada e adaptada às necessidades dos clientes, na minha opinião conseguem obter melhores resultados e construir uma marca, uma imagem,  e por consequência uma carreira sólida. Os Consultores Imobiliários devem atuar de acordo com as regras da atividade, com o mesmo tipo de procedimentos , mas preservando a sua individualidade e competências, tornando cada um deles como único. É essa a base das equipas.

Em resumo, a mediação imobiliária é um setor onde a uniformidade das práticas se deve aliar à diversidade de abordagens, criando um mercado dinâmico e competitivo.



quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

A Palavra à Equipa - Maximiano Ferreira

 “Conhecer ou ser conhecido. Para si qual a importância destes dois conceitos, aplicados à mediação imobiliária?”

A expansão do número de agências do ramo imobiliário ao longo dos anos,  num mercado cada vez mais competitivo,  teve como consequência,  a procura por parte de quem nele trabalha,  de uma crescente e eficaz profissionalização do sector.

O consultor imobiliário para ser tornar conhecido e recomendado deverá prestar aos seus clientes um serviço de excelência, e isso passa por fornecer todas as informações de forma clara e assertiva e permitir que o cliente fique  com zero dúvidas. A satisfação do cliente, faz dele alguém fidelizado,  recomendando o seu consultor a terceiros e falando do seu exemplo  na primeira pessoa.  Os esclarecimentos,  bem como a sua dedicação e o acompanhamento nas várias etapas até à conclusão do negócio são de extrema importância.  O consultor que está no caminho correcto é também procurado por clientes com quem já partilhou negócio e faz dele um consultor de excelência. A título de exemplo, é sempre gratificante receber mensagens como as que transcrevo abaixo:

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 " Boa noite, Sr. Maximiano.

Agradeço a atenção, disponibilidade, simpatia e empenho que dispensou, ao longo dos últimos meses, para comigo e para com a venda do imóvel angariado pela Hall Paxis, através de si.

Gostei imenso do vosso método de trabalho, da organização e da facilidade de comunicarmos, quer para manter contacto, quer para esclarecer dúvidas. Obrigado pela confiança. Recomendarei sempre a Hall Paxis a familiares e amigos.

Bem-haja. "

Pedro Pereira

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" Agradeço a disponibilidade, foco e profissionalismo apresentado durante todo o processo pela vossa empresa nomeadamente ao consultor Maximiliano Ferreira.

Um muito obrigado a todos.”

Francisco Silva

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 " Boa tarde

 Muito obrigada pelo vosso empenho e trabalho.

Cumprimentos."

Alexandra Santos Rosa

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É claro que estes são apenas alguns exemplos do reconhecimento de todo um trabalho, muitas vezes árduo,  mas que no final,  com estes gestos gratificantes, nos fortalecem e nos impulsionam para continuarmos no nosso caminho, com cada vez mais empenho e determinação,  e com a humildade que nos caracteriza para continuarmos a valorizar e  credibilizar um setor que nem sempre é reconhecido. Grato também ao nosso back office da Hall Paxis na resolução de todas as adversidades que nos vão surgindo diariamente, e que com o  empenho, dedicação , força de vontade e disciplina de toda a equipa,  que faz com que consigamos superar todos os momentos constrangedores e difíceis, e nos foquemos cada vez mais na satisfação do cliente.  

Porque a  prioridade máxima é ele, o cliente.



    

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

A Palavra à Equipa - Joaquim Estevens

 

Concorda com a ideia de que um profissional do ramo imobiliário apenas “abre portas”? Porquê?

Procurando dar resposta e comentar a pergunta endereçada, apraz-me sobre o assunto, referir o seguinte:

Um agente e ou consultor imobiliário, digno desse nome e profissão, nunca pode ser entendido como um mero "abre portas", já que isso e a meu ver, seria um parceiro de circunstância, que se limitaria a uma colaboração especifica, para aquele local e para aquela pessoa ou pessoas. Um agente ou consultor imobiliário, com todo o

 seu empenho profissional, deverá  criar e fomentar relações de amizade e confiança, quer  a montante, quer a jusante, geradoras de profícuas relações comerciais e pessoais, no presente e no futuro.

Um comercial que se limita a "abrir portas", no ramo imobiliário, em meu entender, não irá longe na profissão, já que, as pessoas que com ele estão naquele particular, rapidamente se apercebem que a sua motivação não inspira aquela confiança sempre necessária em transações comerciais, de pequena ou grande monta.

Para quem vende ou para quem compra, é absolutamente de primordial importância, que o agente ou consultor imobiliário, inspire confiança e seja digno de respeito, porque vai tratar de valores emocionais e monetários, que muito poderão mexer com a sensibilidade das pessoas.

É evidente que as motivações de comprar ou vender, são absolutamente distintas, mas o profissional do imobiliário deverá colocar-se numa posição de equidistância, de forma a não ferir quaisquer susceptibilidades: Fechar ou abrir portas, nunca será o melhor posicionamento, já que dele é esperada, por todos,  uma colaboração correta e sincera, com vista à concretização ou não do negócio que está em perspectiva.

Por outro lado, é conveniente não esquecer,  que o profissional do imobiliário, é detentor de variados conhecimentos, que devem estar ao dispor das partes envolvidas. A panóplia de saberes que o agente detém, quando bem aproveitados, determinam em muito, todo o bom andamento de qualquer processo. Qualquer agente imobiliário, digno desse nome e profissão, coloca com prazer, ao serviço dos outros, toda a  experiência adquirida ao longo dos anos, nas mais diversas áreas que envolvem o negócio.

Aliando confiança, simpatia, vastos conhecimentos em variadas áreas e outras ferramentas que o consultor imobiliário tem  ao dispor, este nunca se poderá limitar a  ser um mero "abre portas", sob pena de prestar um mau serviço no presente e condicionando em muito o seu futuro.

O mercado concorrencial em que vivemos, no imobiliário e não só, premeia e distingue sempre o profissionalismo, pelo que, o aumento continuado de conhecimentos, é vital para uma profissão, que se quer dinâmica e colaborante com todos os seus pares: Marca pontos, aquele que puser ao serviço dos outros, todo o seu saber.



quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

A Palavra à Equipa - Carla Cravinho

 


  • "Se falarmos das horas de trabalho em função de um cliente, seja ele vendedor, seja ele comprador, como classifica esse tempo: tempo dispendido ou tempo investido? Porquê?
  • Sendo Consultora imobiliária, e nesta área em que o negócio se faz "de pessoas para pessoas", o tempo dedicado a um cliente, seja ele vendedor ou comprador, na minha opinião é classificado como tempo investido.
  • Porquê?

  • Retorno a longo prazo: O trabalho com um cliente, seja na procura do imóvel ideal ou na venda de uma propriedade, geralmente não gera resultados imediatos. Requer tempo para construir uma relação, entender as necessidades do cliente, pesquisar imóveis, agendar visitas, negociar propostas, analisar documentos, etc. No entanto, o sucesso nesse processo pode gerar frutos a longo prazo, como indicações de novos clientes, uma nova compra ou voltar a vender imóveis no futuro, e consolidar uma imagem positiva do consultor no mercado.
  • Construção de relações: O tempo dedicado ao cliente é fundamental para construir uma relação de confiança. Um cliente que se sente valorizado, e bem atendido com simpatia, disponibilidade, conhecimento dos processos, com empatia, é mais propenso a fechar negócio e a recomendar o nosso trabalho a outras pessoas (amigos, familiares, conhecidos) . As relações que se constroem são determinantes na atividade.
  • Conhecimento do mercado: O tempo investido com cada cliente também permite que o consultor aprofunde conhecimentos sobre o mercado imobiliário, sobre varias áreas, sobre as necessidades dos clientes e as melhores estratégias de venda ou compra. Esse conhecimento acumulado é valioso para o sucesso futuro do trabalho do consultor imobiliário.
  • Profissionalização: Encarar o tempo dedicado ao cliente como um investimento demonstra profissionalismo e compromisso com a qualidade do serviço que prestamos. Isso contribui para a construção de uma imagem positiva  de confiança, de honestidade e transparência do consultor imobiliário no mercado onde se insere.

  • Existem algumas situações específicas, em que o tempo dedicado a um cliente pode ser considerado, por muitos, como tempo dispendido.  Como por exemplo:
  • Clientes que não têm interesse real em comprar ou vender: Quando o consultor percebe que o cliente está apenas "a passear" pelo mercado, sem intenção real de negócio, bem como as negociações que se arrastam indefinidamente, sendo muito longas, sem perspectiva de finalização,  o tempo dedicado  pode ser considerado perdido. No entanto, mesmo nessas situações é importante mantermos uma postura profissional, atenciosa, empática, pois nunca sabemos quando um cliente pode voltar a precisar dos meus serviços ou até mesmo se os indica a outras pessoas. 
  • Em resumo, sendo consultora imobiliária, defendo que o tempo dedicado ao cliente, seja ele vendedor ou comprador, é um investimento que pode gerar resultados significativos a longo prazo. Nunca será um tempo dispendido, mas sim investido.

segunda-feira, 8 de maio de 2023

Alentejo ...porque o horizonte é infinito .... Entrevista Filipe Campêlo

 

Falar de Filipe Campêlo é falar de alguém multifacetado, com pensamento desenvolvido e visão estratégica.

Quer contar-nos um pouco acerca da sua vinda para Beja? Como aconteceu esse “chamamento" a alguém com raízes no Norte e com muitos anos vividos em Lisboa?

Tudo começa com uma notícia num jornal de tiragem nacional que nomeou a Biblioteca de Beja como a melhor biblioteca municipal do país. Ficou a curiosidade de conhecer o local.

Algum tempo depois, por necessidade de emissão de um passaporte que demorava mês e meio a emitir em Lisboa, mas apenas quatro horas em Beja, os fatores positivos foram-se somando.

O nascimento do 2º filho, que tornou o apartamento de Lisboa “curto”, fez a ideia sair de Lisboa parecer natural assim como a opção mais óbvia ser Beja: as pessoas eram simpáticas, as coisas funcionavam.

Vinte anos corridos não há planos para sair daqui.

 

Olhando ao seu percurso, encontramos o Filipe em várias vertentes, tais como piloto da TAP, fundador e principal responsável pelo Grupo de Escoteiros de Beja durante muitos anos, desportista de trails, e mais recentemente na área da construção e imobiliário, através da empresa Alvenaria 4, recentemente criada.

Pode dizer-se que esta diversidade de atividades provém de uma certa inquietação, ou pelo contrário, são uma espécie de complemento interior em momentos diferentes da sua vida?

Ser Piloto, primeiro militar e depois civil, foi a concretização de um sonho de infância. Foi aí que me conduziu a vida por ter as capacidades físicas e mentais para tal, por ter o apoio incondicional da família, nomeadamente do Pai e da Mãe para aquela aventura maluca dos aviões que deixava a mãe com os nervos em franja a semana que eu passava na base aérea, por ter encontrado profissionais extraordinários cuja dedicação e profissionalismo permitiu que eu conquistasse as minhas lacunas e rentabilizasse as minhas potencialidades intrínsecas.

Também os Escoteiros surgem de forma natural. Fui Escuteiro em miúdo e daí trouxe amizades que perduram até hoje apesar da distância geográfica. Quis garantir que os meus filhos, na adolescência, se identificassem com uma “tribo” sã. E algo que eu pudesse partilhar com eles e com o qual me identificasse. Ser Escoteiro fazia sentido.

Não havia Escoteiros em Beja e, como não sou de me sentar e dizer mal porque os outros não fizeram, pus mãos à obra e, com um grupo pessoas dinâmicas e dedicadas, fundámos o Grupo 234 Beja. Passados 14 anos “passei a pasta” e a nova Direção tem feito um trabalho extraordinário.

Também a Alvenaria 4 advém da adaptação aos tempos. Não havia planos para deixar a aviação. Pelo menos meus já que a vida tinha outros planos. Com a pandemia e todos os acontecimentos seguintes, feito um balanço pessoal, foi tomada a decisão de sair da TAP.  A construção civil estava já no meu passado para-profissional com algumas iniciativas no campo da remodelação imobiliária, aluguer, compra e venda. Foi assim apenas natural aprofundar um conceito pré-existente.

Por isso, respondendo à pergunta, todo este meu percurso profissional advém definitivamente de alguma inquietação, porque me aborrece estar parado, mas também o tal complemento interior em momentos diferentes da vida

Sermos adaptativos e estarmos despertos para o que nos oferece a vida é absolutamente essencial.

 

Relativamente ao escotismo, existem opiniões de que todas as crianças deveriam passar por um grupo de escoteiros em determinada altura das suas vidas. Concorda?

Têm os jovens perceções de vida diferentes e valorizam mais certos aspetos humanistas e práticos, quando de alguma forma a sua formação foi complementada pela frequência de um grupo de escoteiros?

Sou muito adepto da cidadania interventiva. Todos devemos deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrámos, como postulava Baden-Powell, todos devemos melhorar a nossa rua, o nosso bairro, a nossa cidade sem esperar e reclamar pelos “outros que não fizeram”. A melhor maneira é partilhar essa noção com os mais novos, dar o exemplo. Que eles sejam o exemplo a seguir mais tarde num ciclo virtuoso de serviço ao próximo.

 

A paixão pela construção vem de há muito tempo. Conseguiu agora colocar em prática aquele bichinho que o acompanhou ao longo da vida, com a criação da Alvenaria 4, cujo objetivo é a reconstrução e remodelação de habitações. Olhando para a cidade de Beja e para as zonas de maior debilidade habitacional, qual é, na sua ótica, o caminho a seguir para que essas zonas possam ter nova vida e novos habitantes?

Reabilitar um centro urbano histórico é sempre um processo complicado e dinâmico que, provavelmente, não terá uma solução definitiva e estática mas sim um conjunto de várias medidas que devem ser ensaiadas, implementadas, avaliadas e ajustadas repetindo todo o processo em modo contínuo. Uma legislação rígida e estática, venha de onde vier, nunca será uma solução de prazo alargado.

Ouvir os agentes do mercado - imobiliárias, construtores, proprietários, residentes individuais e coletivos – não uma vez para elaborar uma determinada legislação mas sim em contacto permanente com estes, será absolutamente essencial. E, maioritariamente, não serão necessários grandes planos complexos devendo ser dada prioridade às pequenas simplificações e melhoramentos do dia a dia.

 

Para reconstruir uma casa não basta arranjar cimento e tijolos. É necessário ter em linha de conta bastantes aspetos técnicos e administrativos. Na sua opinião, o que dificulta mais a decisão de um potencial proprietário ou futuro proprietário, no decurso desse processo?

Para o futuro proprietário a maior dificuldade prende-se sem dúvida com a incerteza do custo final da obra. Quem contratar? Que segurança dá esse agente do cumprimento do contratado? E que garantia pós-venda efetivamente será prestada?

Não há uma divulgação continuada e pró-ativa junto do comprador leigo acerca dos agentes registados junto do IMPIC, e outros, nem das seguranças e garantias associadas. O corolário dessa ignorância funcional pode ocasionar graves prejuízos futuros. Cientes dessa incerteza, muitos investidores acabam por não concretizar o projeto a que se propuseram.

 

 A eficiência energética e a sustentabilidade estão definitivamente na ordem no dia na área da construção civil. Que conselhos  úteis e pertinentes neste âmbito,  dá aos seus clientes no antes e no durante obra?

Antes e durante a recomendação é sempre a mesma: recorrer aos serviços profissionais.

Na fase de projeto há que recorrer aos serviços de arquitetura e engenharia já que são estes que estão a par das últimas novidades numa indústria em rápida transformação. São estes que poderão propor um leque de opções atualizadas e adequadas ao caso concreto daquele cliente concreto.

Também na fase de construção deverão ser chamados os profissionais de cada área para execução do projeto. Recorrer ao curioso desenrascado poderá trazer sérios dissabores futuros.

 

Viemos do Norte, passámos por Lisboa, viajámos pelos céus do mundo consigo a comandar no cockpit, fizemos acampamentos em várias latitudes e agora estamos em Beja, no seu terraço com uma vista imensa. Para si, o horizonte do Alentejo é infinito?

O horizonte não está dependente da geografia. Está onde o (im)pusermos em nós.



 

A Palavra à Equipa - Maximiano Ferreira

"A essência da mediação imobiliária difere dos grandes centros urbanos para os pequenos. Vindo de uma grande capital e chegado a uma pe...