terça-feira, 25 de maio de 2021

As Cidades e o Território – Linhas para o Futuro

 

As cidades enquanto números e o lugar a novas formas de desenvolvimento

 

No seguimento do que temos vinda a partilhar, trazemos hoje a opinião de Helena Garrido, economista e jornalista, no âmbito do WebIGAP promovido pelo IGAP, intitulado “Cidade e Território na e pós Pandemia”, onde a Hall Paxis participou enquanto assistente no debate e reflexão.

“Se a economia procura o bem-estar dos cidadãos é o dinheiro que medeia essa procura. Logo, se a economia se traduz em índices e números, há que pensar como aplicá-los no desenvolvimento pós-pandemia, no tecido e vivências urbanas”.

Em primeira análise, a economista assume-se crente no “gigante salto tecnológico, que se repercute na produtividade e no consumo, através da possibilidade de reunir e trabalhar remotamente, bem como na possibilidade de adquirir os mais variados bens de consumo à mercê da explosão das vendas on-line”. Neste ponto, Helena Garrido, evidencia as mais valias do teletrabalho, assim como os benefícios daí decorrentes para os “trabalhadores mais qualificados” que poderão abraçar a possibilidade de “trabalhar longe dos grandes centros urbanos e aí residir”. Por seu lado, “a criação de políticas urbanísticas para o centro das cidades” trará aos “millennials, mais urbanos” a oportunidade de trabalhar, também de forma remota, nestes locais.

Contudo, importa ressalvar que “as características e cultura dos países diferem entre si, pelo que as tendências futuras não serão homogéneas. Será sim transversal, a realidade do teletrabalho, com presença física pontual dos trabalhadores nas empresas, no máximo de dois dias por semana”.

Crente na hipótese do “desaparecimento das grandes lojas físicas e dos grandes centros comerciais”, a economista refere que a tendência passará pelo renascimento do comércio de proximidade, com uma “maior concentração de serviços (como cabeleireiros, espaços de restauração e take-away, mercearias, tabacarias…) em zonas específicas, algumas periféricas, em resposta às necessidades das zonas residenciais”. Na mesma linha, assistir-se-á à “diminuição acentuada dos edifícios de escritórios e a um crescimento de espaços destinados ao teletrabalho”, mas também, à vertente hibrida, habitação/espaço de trabalho”.

No que concerne ao “segmento do turismo, impõe-se um reposicionamento das unidades hoteleiras de gama alta, com vista à sua sobrevivência e sustentabilidade, já que a pandemia veio agravar as desigualdades” e o sector estará cada vez mais dependente de “determinados nichos de mercado”, importando, aqui, trabalhá-los e valorizá-los.

Por fim, mas não de menor relevância, Helena Garrido aponta “o aumento exponencial da dívida pública dos vários Estados, assim como a sua gestão”, como factor determinante na articulação e concertação dos “sectores público e privado, num caminho de futuro, de desenvolvimento e de sustentabilidade”.


Texto: Maria Helena Palma/Rita Palma Nascimento

Foto: Maria Helena Palma

 

 

sexta-feira, 21 de maio de 2021

As Cidades e o Território – Linhas para o Futuro

 

Arquitectura e dinâmica das cidades

No âmbito do WebIGAP, promovido pelo IGAP, intitulado “Cidade e Território na e pós Pandemia”, onde a Hall Paxis participou enquanto assistente no debate e reflexão, damos hoje a conhecer o essencial da intervenção do Arquitecto Manuel Ventura, CEO da Ventura+Partners. Assente em novos paradigmas, dinâmicas e dinamismos, Manuel Ventura abordou os desafios da nova e necessária aquitectura das cidades.


“Pessoas, actividade e vida urbana”, tão importantes e fundamentais à manutenção da densidade de uma cidade. No pós pandemia, e após um confronto forçado com novas realidades, adaptações, vivências, rotinas e hábitos será importante, na opinião CEO da Ventura+Partners, “não deixar morrer a malha urbana”, mesmo que “com características diferentes daquelas que existiam” até à data. Repensar e “desenvolver ARUs e os respectivos PDMs numa óptica de flexibilidade inerente à perspectiva de futuro”, torna-se, no presente, fundamental.

Como desafios, Manuel Ventura destaca a urgência na adaptação do “mercado de escritórios”, onde se prevê que os “espaços de coworking alcancem um desenvolvimento considerável”, apenas possível mediante a adaptação de edifícios para o efeito, “já que o espaço ideal de trabalho se assume de 15 m2 por trabalhador”, a “aposta num novo conceito de habitação”, não só no que à concepção de espaços interiores diz respeito, onde importa salientar a necessidade de os tornar mais amplos, dinâmicos, funcionais e adaptáveis a diferentes actividades, mas também repensar a necessidade de existência de “espaços exteriores (varandas e quintais)” que, no actual cenário pandémico, vieram comprovar a sua importância. Uma “nova concepção de hospitais e UCIs” é também, para o arquitecto, necessária, como medida preventiva, para que seja possível, de futuro “dar resposta a novas pandemias”. A par, é sua convicção que “as residências séniores têm que ser repensadas, potenciando o conceito de aldeia sénior, com espaços verdes, co-living e uma oferta global de serviços, a exemplo do que acontece em alguns países de Europa”, não esquecendo que, nesta área, “Portugal deu os primeiros passos com o projecto Hacora”.

E, como também no comércio se sentem os efeitos da pandemia, “com reflexo no aumento das vendas on-line, diminuição de vendas em espaços físicos, afluência a esses espaços e redução do número de espaços”, não será de estranhar que muitos deles venham a ser convertidos em habitações ou escritórios”. Na mesma linha, prevê-se uma redução acentuada das grandes superfícies comerciais, privilegiando o e-comerce e o comércio de proximidade. No que à restauração diz respeito, sendo um sector determinante para o dinamismo citadino e atracção de pessoas, Manuel Ventura defende  a “aposta no take away e no delivery” deverão continuar, assim como “a procura por novos nichos de mercado, o que exige adaptação e reinvenção forçadas” no presente e no futuro.

Mas não só, “criar sinergias entre o Estado e os privados” é uma necessidade, “com projectos que auxiliem a sustentabilidade dos espaços, uma vez que nem o Estado tem capacidade para responder a tudo, nem os privados, por si só, conseguem criar alternativas que sejam potenciadas por um desenvolvimento cultural e empresarial”. Aspecto que, na visão do arquitecto, “entronca na revitalização do turismo, sector determinante no país, onde mais uma vez, Estado e privados têm que convergir. Ao Estado caberá revitalizar o espaço público, para que a iniciativa privada se possa desenvolver. Fazer uma boa gestão e aplicação dos dinheiros públicos, permitirá criar dinâmicas no sector privado”, tornando o investimento mais aliciante, seguro, inovador, sustentável e de futuro para as cidades.

 



Texto: Maria Helena Palma/Rita Palma Nascimento

Foto: Pedro Palma Nascimento

Música e Imobiliário - Confluência e Inspiração - A escolha de Maximiano Ferreira

 

Dando continuidade ao  desafio colocado à equipa da Hall Paxis, acerca da relação entre música e imobiliário, a forma como nos inspira e aspectos que podemos transpor para o nosso dia a dia profissional, partilhamos hoje a escolha e a opinião do Maximiano Ferreira.

“A Minha Casinha”, de  Xutos e Pontapés

 Escolhi o tema “A Casinha” por ter a ver directamente com o ramo imobiliário.

Quando tentamos escolher o imóvel que se adequa ao perfil do cliente, o pensamento é o de que seja a “alegre casinha” que vá de encontro à pretensão de quem procura o lar ideal, independentemente de valores de investimento e capacidade financeira. O nosso lema é dar satisfação ao cliente, a contento das partes envolvidas, com o maior rigor e profissionalismo.

Independentemente das circunstâncias de vida que determinam a escolha de uma casa, sejam novos projectos, sejam regressos, sejam quebras de caminho e procura de novos, o momento da escolha e da decisão deve sempre revestir-se de alegria.

Também para quem vende, o momento é único e as motivações diferentes, mas o sentimento de ter ajudado na solução de uma situação, é extremamente gratificante.


https://youtu.be/pQhYQLI-2Tg


terça-feira, 18 de maio de 2021

Música e Imobiliário - Confluência e Inspiração - A escolha de Carla Cravinho

 

Porque gostamos de desafios e eles fazem parte do nosso trabalho, a equipa da Hall Paxis foi desafiada para aliar um tema musical português à temática imobiliário. Porque afinal, nas nossas vidas tudo se conjuga, seja arte, saúde, educação, projectos de vida, etc.  e tudo assenta em imobiliário no geral, recolhemos os testemunhos dos colegas, que partilhamos no nosso blogue.

Damos início com a escolha musical da consultora Carla Cravinho – “Andorinhas”, de Ana Moura

“Este tema surge numa altura de pandemia,  em que os espetáculos deixaram de se realizar e pela necessidade/vontade de reinvenção da artista, cortando amarras com as imposições editoriais e de agência, representando uma guinada na sua música e no fundo é um hino à liberdade, emancipação e criatividade . É  uma recusa de amarras do sucesso. Desta forma a Artista pode cantar o que quer , deixar-se influenciar pela pelas várias culturas musicais como o crioulo, que as suas raízes lhe transmitiram. O vídeo da música sendo filmado nos telhados de um bairro popular de Olhão, representa o desbravar de um caminho , novo , com obstáculos,  mas com a liberdade de poder escolher!

Se aplicarmos esta música ao imobiliário,  deparamo-nos com algumas semelhanças . Também a pandemia nos levou a reinventar, a aguçar a criatividade e a procurar novos caminhos para desenvolvermos a nossa atividade,  com um mesmo objetivo mas com soluções e caminhos diferentes a percorrer.  Tal como a música, a cultura e espectáculos, necessitamos de pessoas, de contacto humano, de conhecer as suas motivações e influências. O impedimento que a pandemia nos trouxe motivou-nos a desenvolver técnicas, a apurar conhecimentos tecnológicos, a ter mais tempo para ouvir os clientes e assim criar maior empatia. Também o imobiliário passou por uma recusa de amarras, por uma liberdade de criação e encontrarmos novas formas de desenvolver a nossa atividade.

Os versos :

“Passo os meus dias em longas filas

Em aldeias, vilas e cidades

As andorinhas é que são rainhas

A voar as linhas da liberdade.”

As longas filas de aldeias, vilas e cidades faladas na música originaram uma mudança na procura de imóveis com espaço exterior, com maior liberdade e espaços amplos , em meio rural.

“Um dia disse uma andorinha

Filha, o mundo gira, usa a brisa a teu favor

A vida diz mentiras

Mas o sol avisa antes de se pôr.”

Podemos adaptar ao imobiliário , no sentido em que o mundo avança, as vidas mudam , e devemos usar as causas /consequências desse avanço para nos fazerem avançar também, andar para a frente e transformar as objeções em oportunidades. Por exemplo, se não tivermos possibilidade de visitar um imóvel, conseguimos desenvolver técnicas e conhecimentos que antes não eram valorizados ou usados, porque já existiam. Foram os impedimentos que nos fizeram procurar alternativas e usando a brisa a nosso favor, desenvolver competências técnicas e know how para continuar a desempenhar a nossa função. Como  exemplo temos as visitas virtuais , que existem há algum tempo, mas não eram usadas , ou eram-no muito pouco. Agora  passaram a ser imprescindíveis .

“Já a minha mãe dizia

Solta as asas, volta as costas

Sê forte, avança p'ra o mar

Sobe encostas, faz apostas

Na sorte e não no azar.”

Representa a vontade de continuar a trabalhar num sector em mudança , com todos as contrariedades, e todos os estímulos internos e externos.  O importante é avançar , trabalhar, aceitar e adaptarmo-nos às mudanças quer do mundo quer da actividade mas continuar a trabalhar construindo a nossa sorte, porque a sorte dá trabalho!

 Tudo muda, o mundo gira mas continuamos a ter uma atividade de pessoas para pessoas e só temos que cortar com amarras, com velhos do restelo resistentes às mudanças e acompanhar essa evolução. Temos que mudar chips, desbravar caminhos , talvez até de outras formas,  para chegar aos clientes que continuarão a procurar concretizar o sonho de ter a sua casa, a sua quinta, ou até o seu projecto de negócio. Nada mais é que uma reinvenção,  liberdade e o início de uma nova etapa. As andorinhas  reinventam-se anualmente, vão, voltam e iniciam uma nova vida , mais uma primavera!"



 https://youtu.be/x3QGODFnM8A

 

quarta-feira, 12 de maio de 2021

As Cidades e o Território – Linhas para o Futuro

 

A Saúde Mental e as Cidades

No âmbito do no WebIGAP promovido pelo IGAP, intitulado “Cidade e Território Na e Pós Pandemia”, onde a Hall Paxis participou enquanto assistente no debate e reflexão, partilhamos hoje o resumo da intervenção do Professor Júlio Machado Vaz, reconhecido psiquiatra, que aborda a saúde mental no contexto da cidade, quiçá o local onde a vida das pessoas foi mais atingida.

Urbanismo, educação e economia, estes são os três vectores que deverão ser considerados e interligados, para que possam ser dadas e adequadas as respostas necessárias – e mais eficientes – no que às questões de saúde comunitária, diz respeito.  Uma premissa que, Júlio Machado Vaz, Psiquiatra, considera que “não deverá ser deixada apenas nas mãos dos profissionais de saúde, uma vez que a sua complexidade abarca, sem dúvida, as primeiras três vertentes”.

Na óptica do psiquiatra, “viver a cidade é cada vez mais importante”, desfrutar dela e senti-la, o que considera ser “completamente diferente de viver nela. O viver, implica, por um lado, vivê-la [à cidade], mas está igualmente ligado aos problemas psicológicos de lá se residir. Neste ponto, “a presente crise pode ser uma oportunidade para se diminuir a distância entre os dois conceitos, tornando as cidades mais amigas de quem nelas habita, através de uma nova filosofia e dinâmica”.

Intrinsecamente associados ao modo de vida nas cidades, estão problemas de saúde como o stress, a hipertensão, a obesidade (20%), questões psicológicas como a ansiedade (21%), depressão (20%) e surtos psicóticos, doenças oncológicas e doenças respiratórias obstrutivas crónicas. Aspectos que Júlio Machado Vaz leva em linha com fatores como “o desordenamento das cidades, a poluição atmosférica, a poluição sonora e a reconhecida falta de espaços verdes. No século XIX existiu uma tendência que ligava o urbanismo e a medicina”, recorda o psiquiatra, “que foi parcialmente abandonada no século XX, por força do betão e da massificação dos edifícios, tendo a dimensão preventiva da saúde sido relegada para segundo plano”, afirma.

Actualmente, em Portugal, a referência é Siza Vieira, “adepto das cidades saudáveis e que defende uma linha de continuidade da cidade no campo”. Linha essa, “condutora e homogénea”, no urbanismo e no conceito subjacente.

Para JMV, esta será, “talvez, altura de dar forma a esse modelo saudável de viver na cidade, evitando o crescimento de desigualdades sociais que se acentuaram” em contexto de pandemia.
A céu aberto, expostas à maioria, ficaram as dificuldades, quer ao nível das “deficiências habitacionais e sociais, como no “agravamento do fosso entre poder económico e os poucos recursos financeiros das famílias. As habitações sobrelotadas onde um só espaço passou a ser escola, escritório, empresa, ginásio, atelier… com todas as vicissitudes daí decorrentes, para a organização e vivencia familiar”.

Este aspecto remete-nos, também, para a problemática do mercado de arrendamento, considerado por Júlio Machado Vaz, “muito fechado e difícil, por força da fraca oferta e dos preços exorbitantemente praticados”. O psiquiatra atenta ainda num outro aspecto, não menos importante, o perigo decorrente da “coabitação e a partilha entre colegas ou amigos, durante a pandemia” o que “obrigou inúmeros jovens a regressar a cada dos pais”. Decisão, também ela, associada a despedimentos, lay-off, condições económicas precárias e subida do desemprego nas faixas etárias mais jovens, entre os 20 e os 35 anos.

Júlio Machado Vaz é pragmático, “se queremos cidades saudáveis, com pessoas saudáveis e capazes de responder aos gigantescos desafios de uma pandemia, então o paradigma tem que se alterar. O centro das cidades tem que ser habitado, tem que ter vida própria, têm que existir jovens, tem que ter espírito comunitário e de tertúlia. É essa vida, a participação activa e a inovação trazida pelos jovens, através das ideias transformadoras da sociedade, que tornará as cidades sustentáveis, saudáveis e um lugar apetecível para se viver. Não se olhe apenas às áreas metropolitanas, povoadas por grandes edifícios que crescem como cogumelos, mas olhe-se para dentro também”, para os centros.

Como nota final, e apelando à reflexão, o psiquiatra remata com um apelo, “atente-se em dois artigos, um no jornal Público, onde o Frei Bento Domingues fala das Desigualdades Sociais Criminosas e outro no Expresso denominado “As cidades 15 minutos”.

 

Artigo jornal Público:

https://www.publico.pt/2020/12/06/opiniao/noticia/urgente-possivel-mudar-1941755

Artigo jornal Expresso:

https://expresso.pt/sociedade/2020-11-15-Cidades-de-15-minutos-o-novo-modelo-de-urbanismo-que-varias-metropoles-ja-estao-a-aplicar


Texto: Maria Helena Palma/Rita Palma Nascimento

Foto: Tiago Gomes

 

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Habitação e Poupança

 

Para comprar casa é hoje necessário ter-se poupanças, não só para fazer face aos gastos associados à aquisição de habitação, como sejam os impostos, a avaliação, os seguros e a escritura, mas também para dar como valor de entrada no processo de aquisição. Isto porque, apesar da crise económica decorrente da pandemia por covid-19, os bancos mantêm-se abertos à concessão de crédito à habitação, mas não a 100%. Assim, o valor do empréstimo para compra de habitação própria permanente é agora de 80 a 90% do valor da compra ou da avaliação do imóvel (o menor dos dois).

Desta forma, há que fazer contas ao valor que será necessário ter de reserva antes de iniciar o processo. Segundo dados do Idealista, em território nacional, 7.000€ será, em média, o valor mínimo que deverá ter disponível para aquisição de um imóvel com recurso a crédito. Valor que irá variar de acordo com a tipologia, região e condição do imóvel pretendido.

Numa análise feita ao preço do m2 nas 20 capitais de distrito de Portugal continental e Ilhas, Lisboa, Faro, Porto e Funchal assumem os lugares cimeiros, por oposição a Guarda, Castelo Branco e Beja, que se apresentam no fim da tabela.

Assim, a poupança mínima que deverá garantir para aquisição de habitação em Lisboa é de 87.000€, 60.000€ em Faro, 59.000€ no Porto e de 50.000€ no Funchal, e será de 7.000€ no caso do interesse recair sobre um T1 nos três distritos mais baratos.

Estas assimetrias numéricas estão intimamente relacionadas com o desenvolvimento das regiões e, sobretudo, com o turismo, onde as regiões do litoral se assumem preferenciais, face ao interior do país.

No que a valores médios diz respeito, o Idealista/data informa-nos que o valor médio do m2 em Portugal, no último trimestre de 2020, era de 2147€. Em Lisboa fixava-se nos 3346€/m2, em Faro nos 2368€/m2, Porto apresentava como valor médio 2140€/m2, Funchal 1687€/m2 e Beja 777€/m2.

Quanto a variações, verificou-se, no mesmo trimestre, uma subida de 45€/m2 (+1,37%) em Lisboa, de 43€/m2 (+1.91%) em Faro, 87€/m2 (+4,35%) no Porto, 9€/m2 (+0.56%) no Funchal e uma variação negativa em Beja de 32€/m2 (-1.61%).

Quanto à mediana, em dias, que um imóvel permanece no mercado, Beja apresentava-se, no último trimestre de 2020, entre os 5 distritos atrás mencionados, como o distrito onde a venda é mais morosa, 218 dias, seguindo-se o Funchal com uma média de 149 dias, Faro com 125 dias, Porto com 114 e Lisboa com 89 dias.

Daqui resulta que uma maior procura significa uma maior rotatividade de imóveis no mercado que, por sua vez, tem implicações directas no valor do m2. 

Analisemos, então, os valores médios por tipologia e a poupança necessária, a eles associada, em caso de recurso ao crédito à habitação. Note-se que, a condição dos imóveis (estado de conservação), a idade, a existência de nova construção ou ausência dela em cada um dos distritos, têm um peso considerável nos valores apresentados.

T0

Beja (valor médio de venda): 85.500€

Beja (poupança necessária): 11.000€

Funchal (valor médio de venda): 137.720€

Funchal (poupança necessária):17.000€

Porto (valor médio de venda): 162.289€

Porto (poupança necessária): 22.000€

Faro (valor médio de venda): 204.392€

Faro (poupança necessária): 30.000€

Lisboa (valor médio de venda): 265.203€

Lisboa (poupança necessária): 41.000€

 

T1

Beja (valor médio de venda): 52.413€

Beja (poupança necessária): 7.000€

Funchal (valor médio de venda): 170.169€

Funchal (poupança necessária): 22.000€

Faro (valor médio de venda): 171,195€

Faro (poupança necessária): 24.000€

Porto (valor médio de venda): 181.001€

Porto (poupança necessária): 25.000€

Lisboa (valor médio de venda): 287.564€

Lisboa (poupança necessária): 45.000€

 

T2

Beja (valor médio de venda): 70.958€

Beja (poupança necessária): 9.000€

Funchal (valor médio de venda): 223.639€

Funchal (poupança necessária): 31.000€

Faro (valor médio de venda): 220.985€

Faro (poupança necessária): 33.000€

Porto (valor médio de venda): 255.242€

Porto (poupança necessária): 39.000€

Lisboa (valor médio de venda): 393.262€

Lisboa (poupança necessária): 65.000€


T3

Beja (valor médio de venda): 107.152€

Beja (poupança necessária): 14.000€

Faro (valor médio de venda): 350.602€

Faro (poupança necessária): 55.000€

Funchal (valor médio de venda): 354.506€

Funchal (poupança necessária): 57.000€

Porto (valor médio de venda): 394.460€

Porto (poupança necessária): 65.000€

Lisboa (valor médio de venda): 594.168€

Lisboa (poupança necessária): 104.000€

 

T4+

Beja (valor médio de venda): 161.260€

Beja (poupança necessária): 22.000€

Funchal (valor médio de venda): 505.396€

Funchal (poupança necessária): 84.000€

Faro (valor médio de venda): 516.676€

Faro (poupança necessária): 89.000€

Porto (valor médio de venda): 768.589€

Porto (poupança necessária): 134.000€

Lisboa (valor médio de venda): 922.390€

Lisboa (poupança necessária): 161.000€

 

A reter que o facto de um T0 em Beja apresentar maior valor de venda que um T1 ou um T2 se deve ao facto da oferta ser residual e, dentro dela, os imóveis serem novos, contrariamente à oferta de imóveis T2 que são, na sua maioria, de construção antiga e a necessitar de intervenção. 

Mas, também a reter, a evidência de que um T1, T2, T3 ou T4+ em Lisboa apresentarem o quíntuplo do preço das mesmas tipologias em Beja.

Se está  a pensar em comprar casa, faça contas a preços, mas também às suas poupanças.


Texto: Rita Palma Nascimento

Foto: Ana Espinho


terça-feira, 23 de março de 2021

RENDIMENTOS, TAXA DE ESFORÇO E HABITAÇÃO

 

(Em Beja, arrendar um T2 requer, em média, uma taxa de esforço superior a 52%)

O preço da habitação em Portugal volta a ser questão central, numa altura em que ter casa não é apenas uma necessidade e um direito previsto no artigo 65º da Constituição da República Portuguesa, mas também um caso de saúde pública, com que a pandemia de covid-19 nos veio confrontar.

Actulamente, serão cerca de 26 mil, as pessoas que se encontram em situação de carência habitacional. A esta realidade, poderá juntar-se uma outra, o desemprego a atingir 7,1% no quarto trimestre de 2020 (perto de meio milhão de desempregados), a quebra de rendimentos das famílias, o lay-off e, em certos casos, a suspensão absoluta da actividade económica.

Conseguir suportar as despesas com a habitação ficou, por isso, ainda mais difícil. E se, no caso do crédito, as moratórias vieram ajudar, no caso dos arrendamentos a realidade foi outra.

35% é a percentagem recomendada internacionalmente como limite máximo da taxa de esforço para a habitação familiar, valor largamente ultrapassado em Portugal.

Como exemplo, para conseguir suportar a renda de um T2, sem exceder 35% dos rendimentos anuais, em Lisboa, seria necessário que um agregado declarasse 41.349€/ano. Segundo dados do INE, a mediana dos rendimentos declarados pelos agregados é de 14.019€, o que significa que seriam necessários 23 meses de rendimentos para conseguir pagar a renda de um apartamento sem exceder a taxa de esforço.

(A título de curiosidade, no Porto, seriam necessários 15 meses).

Segundo os dados disponíveis para consulta no portal do Instituto Nacional de Estatística, dos 183 municípios a consulta, 111 apresentam declaração de rendimentos e valores de renda que obrigam a uma taxa de esforço superior a 35%. Em Beja, para que se tenha noção, o arrendamento de um T1 (valor médio sem despesas 305€) representa 42,71% e para um T2 (valor médio sem despesas 400€) a taxa sobe aos 52,81%.

Não será, por isso, de estranhar que o país se mantenha na cauda da Europa na relação entre rendimento e qualidade de vida, segundo o Eurostat.

Para melhor perceber a realidade que, em termos de preços e remuneração, é bastante variável em território continental, em média, metade dos trabalhadores por conta de outrem aufere, no máximo, 854€/mês, aos quais será necessário retirar as contribuições obrigatórias.

Analisando o preço da renda média de um T1 em Lisboa (dados do INE), seria necessário que o arrendatário auferisse 2100€/mês, para não exceder a taxa de esforço recomendada.

(Com sorte, poderá encontrar-se casa abaixo do valor do mercado, porém, poderão ficar comprometidas as condições de habitabilidade e salubridade).

Os motivos que levaram à contagiante escalada de preços na habitação em Portugal são bem conhecidos, desde 2012 a esta parte. Com o negócio a sobrepor-se às questões sociais, aumentaram os processos de “gentrificação”, os despejos, o abandono dos centros da cidade, o aumento do número de agregados a viver em habitações precárias, sendo a condição económica o factor que determina o lugar que cada um pode ocupar numa cidade.

O agravamento da realidade obrigou a que, em 2017, se assumisse que o problema iria além das recorrentes problemáticas sociais. Por demais evidente a incompatibilidade entre os preços no mercado privado e os rendimentos das famílias (onde se inclui a classe média). Desta forma, as recomendações das Nações Unidas, na altura, foram no sentido de aumentar os recursos disponíveis para o sector habitacional. Foi criada a primeira Lei de Bases da Habitação, travados processos de despejo, criados novos programas de apoio ao arrendamento e fixados limites às rendas, através da “renda social”, “renda apoiada”, “renda condicionada” e “renda acessível”. Contudo, sendo apenas 2% do parque habitacional nacional público, influenciar os preços do mercado privado é quase impossível.

Todavia, poderia a aquisição de habitação por parte do Estado, ou mesmo a adaptação e requalificação de edifícios públicos, com fim à habitação, ter resolvido algumas questões. Porém, sabemos também, que o negócio se justapôs às questões essenciais e que a venda de património público a fundos e sociedades privadas, alimentou a sede dos investidores e a especulação no mercado imobiliário, (sobretudo nas grandes cidades).

E agora? Onde é que posso morar?


Texto: Rita Palma Nascimento

Foto: João Espinho

A Palavra à Equipa - Maximiano Ferreira

"A essência da mediação imobiliária difere dos grandes centros urbanos para os pequenos. Vindo de uma grande capital e chegado a uma pe...